segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Chegara em casa radiante. Que dia!! Nunca, em tanto tempo, estivera tão feliz. Os olhares de inveja de seus colegas de trabalho valiam todos os sacrifícios que fizera. O único que batera, ou melhor, superará a meta de vendas da pequena concessionária onde trabalhava. Nunca na história da empresa um funcionário venderá tanto. O patrão era só sorriso. Recebera uma gorda comissão. Os “amigos”, insistentes, o arrastaram para um barzinho no Rio Vermelho. Muito agradável. Mas o que queria era estar só e curtir aquele momento. Sempre fora assim. Só. Ao chegar em casa, tomou um banho e deitou-se na frente da sua televisão. Iria trocá-la. Passava uma de suas séries prediletas. Mas algo tirava sua atenção. Mas o que? Não sabia ao certo. E, de repente, a sensação de felicidade foi dando espaço a uma saudade insabida. Mas de quem? De quê? Não! Não ousaria pensar! Estava feliz! Não iria pensar... Mas o sentir persistia, o coração disparava. Até que vencido aceitou o nome: Marcelo. Precisava dividir com ele. Não, não ligaria. Tinha que ser só. Há muito havia decidido que seria só. Não mais ligaria, nem o procuraria. Mas o coração sempre teve a última palavra em sua vida e mais uma vez ele vencia o jogo. Estava cedendo.

Não posso!

Mas pegou o celular e lembrou-se que há muito apagara o seu número da agenda. Mas não precisava. Lembrava-se, perfeitamente, do número. Digitou-o, mas hesitou uma última vez. O que diria? Além do mais já era tarde. Com certeza ele já dormia. Ou será que mudara seus hábitos? Que se dane! Apertou o “send”. O telefone chamou uma vez, duas, três, quatro, ..., caixa. Estaria dormindo ou não queria falar com ele? Não sabia. Não queria saber.

Seu coração doía.

Tentou ir dormir e esquecer-se de tudo aquilo, amanhã faria hora extra, trabalharia até a exaustão. Virou de um lado pra o outro. Nada. Não conseguia dormir. Apelou para o seu bom e velho Valium. Seu amigo de tantas horas.

Apagou.

- Mas o que é isso? Parece meu telefone. Aí, minha cabeça!! Estou zonzo. Lembrou-se do remédio. Pegou o telefone. Aquele número... Conhecia aquele número. Não podia ser. Olhou para o relógio. Eram 4 h da madrugada. Hesitou, mas atendeu. Disse um alô vacilante.

- Alô;

- Emmanuel? Acordei-te?

- Na verdade acordou, mas não tem problema. Eu te liguei ontem...

- Eu vi, mas não sabia como atender. Fiquei surpreso, feliz, chateado por você ter sumido durante todos estes meses... Senti muito sua falta.

- Porque não me ligou?

- Como assim? Eu te liguei por dias! Como você não atendia e não retornava...

- É verdade. Eu não... Eu não tinha forças pra falar contigo.

- Eu só queria te pedir perdão, mas como você não atendia... Achei que fosse tarde demais...

- Talvez seja.

- Certo. Mas, afinal, porque você me ligou?

- Estava tão feliz ontem, mas incompleto. Aquela sensação tinha que ser dividia contigo, mas você não estava mais aqui.

- Sei bem o que é isso... Quantas vezes fiquei triste por não poder contar pra você minhas conquistas. Quantas vezes te odiei por você ter sumido, por você me evitar. Quantas vezes meus momentos felizes se converteram em rios de lágrimas e dor. Quanto arrependimento uma pessoa pode sentir?

- Você se arrependeu?

- Cada dia, cada segundo que fiquei longe de você me doeu... Você sabe, você me conhece... Porque insiste em fazer tudo errado quando faço minhas loucuras?

- Porque suas loucuras me machucam, suas “certezas” me ferem... E eu não agüentava mais tentar falar, te trazer a razão e você insistir nos seus erros... Você sempre se esquece quem eu sou... Você não agüenta a pressão da vida e desconta em mim, sempre em mim...

- Perdão. Desculpa-me.

-Não sei se posso... Sei que não devo...

Do outro lado da linha, Emmanuel, ouvia aquele choro copioso. Cada lágrima o atingia. Como queria afagá-lo. Abraça-lo... Então, num acesso de insensatez, disse:

- Vamos almoçar amanhã?

Demorou, demorou como se Marcelo tentasse entender o que era aquilo, o que aquilo significava, mas parecia não querer perder a oportunidade. Respondeu:

- Vamos!

Marcaram em lugar bem significativo para ambos. Shopping Barra. Foi lá que haviam se conhecido. Emmanuel chegara lá meia hora antes do combinado. Sentou-se e começou a lembrar de todas as vezes que haviam estado ali. Tantas vezes, tantos momentos felizes. Tantas coisas para lembrar e poucas pra esquecer. Mas com Marcelo as coisas não funcionavam nesta dinâmica. Lá o que existia era muita coisa pra esquecer e pouco pra lembrar. Isso sempre o machucava.

Marcelo chegará com 10 minutos de atraso, normal. Pontualidade nunca fora o seu forte. Abatido, magro, cabelo por cortar. O que havia acontecido? Onde estava aquele Marcelo vaidoso? Passado o susto se cumprimentaram. Marcelo evitava a todo custo sustentar o olhar por muito tempo, parecia ter medo. Medo de não suportar e se atirar nos braços de Emmanuel ali mesmo no Barra. Emmanuel suspirou ao perceber isso.

Ainda se gostavam.

Não sabia como avaliar aquela descoberta. Não sabia se classificava como positiva ou negativa.

Mas o futuro guardava uma resposta.

Juntos tiveram momentos bons, ótimos e terríveis. Nada demais em uma relação.

Emmanuel via os problemas a serem resolvidos, mas se omitia até que o intempestivo Marcelo colocou, mais uma vez, fim na historia sem prévio aviso. A principio, Emmanuel ficara sem chão, mas com o passar dos dias percebeu agora era um sentimento fraco, remendado, que não conseguia caminhar com as próprias pernas.

Se não era mais um amante...

Seria um amigo?

Lembrava-se de um conceito: o indecidível...

O futuro parece guardar a resposta...


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Medo

Eu tenho medo daquilo que me tira o chão e me dá asas. Porque as asas sempre se vão no momento em que estou mais distante do chão. A queda é sempre rápida; mas a dor é de demora.

Estou em queda livre. Dessa vez subi com cuidado, sem presa. Como que se estivesse a prever que a qualquer momento a queda fosse acontecer. Afinal, a única coisa que não é passageira é a dor. Ela pode vir em diferentes formas, mas sempre vem.

Você falou em amores passados, em corações divididos, em traições, em migalhas... Eu te dei dias, horas, carinhos, planos e sonhos. Não nego que meu coração está marcado por um passado. Ele está sangrando. Mas o remédio pra isso é o tempo, não você. Você é, ou era, aquele quem iria me ajudar a escrever uma nova história. Não quero escrever nossa história sobre nenhuma outra. Todo o meu passado vai continuar em mim. Meu coração é espaçoso e seu lugar não é em cima de ninguém, seu lugar é completamente novo e arejado. Quanto ao resto que você afirma, não tenho o que dizer, penso que não se aplica.

Eu não acredito em amor, mas continuo a acreditar no poder da escolha. Eu escolherei sempre ser feliz. Quem quiser que venha comigo, mas que seja leve...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Se você me perguntasse qual o problema de amar eu te responderia que só há um problema em amar: o amor. Não é redundante. Pense bem, o que te faz prometer o que você não vai conseguir cumprir? o que te faz seguir impulsos que antes você conteria sem nenhum problema? O Amor! Ele não pode ser contido, não adianta você tentar, é uma freak maldição dada/imposta ao homens pelos deuses, esses sádicos.
Fico imaginando como um sentimento tão egoísta ganhou status tão elevado em nossa sociedade. O cristianismo o vende como o caminho para salvação (isso quando eles não dizem que o caminho tem um preço... e não estou mais falando de amor...), mas como um sentimento que coloca o EU em primeiro lugar pode salvar alguém de alguma coisa? aliás, do que precisamos ser salvos, afinal?
voltando...
Quando você começa a sentir aquilo a que chamamos de amor/paixão (nesse momento não vejo mais diferença) tudo tem uma cor, um gosto, um som diferente da realidade antes apreendida. O cinza passa a azul, o azedo agora é agridoce e o barulho agora vem cheio de promessas... Aí vocês começam um relacionamento (na melhor das hipóteses) e as borboletas no seu estômago estão voando a toda força... Aí dizem que o outro se torna o seu mundo. Mentira! O seu mundo ainda é você, o outro só é a projeção, a materialização de seus quereres, e assim que essa projeção perder o fôlego, ele, o seu amado, vai dançar. E você vai em busca de outro que posse TE proporcionar de novo aquilo. O que eu digo é o que já afirmou, a muito, Nietzsche que o que nós amamos é o desejo provocado pelo objeto e não o objeto desejado. Ou seja, tudo gira em torno de suas vontades, meu caro.
Amor? Não, Desejo! Esse negócio de amor é uma grande fraude. Ninguém ama de fato outra pessoa, o que você ama, meu caro, é o que ele provoca em você.
E ainda há um outro elemento nesse jogo, o controle. Há sempre aquele que detém o poder, o controle da relação. Ele é quem vai decidir a hora em que já não há mais razão para ficar, ele é quem vai "perceber" que aquele vaso já não tem mais um líquido palatável ao seu predador paladar. Então ele fará aquilo que o "coração manda", ir em busca de um próximo(s)... que irá te alimentar por mais um período. E não pense você que o que foi deixado terá algum escrúpulo quando estiver na posição de poder, não, ele não terá. Ele fará o mesmo, é o jogo. Ou você play de acordo ou...
Ahhhhh, o amoorrr....
Tão lindo, né?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dói

Estou mais um vez ferido. Mais uma vez. O fato de eu deixar a porta aberta e com seu acesso irrestrito não é inteligente. Revogo suas credenciais. Não vou sucumbir a tudo isso novamente.
Você nem se importa... nem se importa...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mundança?

Ele veio cheio de promessas de "bons tempos". Ele está aqui, e é tudo igual. Prometer é profetizar o fracasso, porque não se diz que se vai mudar, simplesmente se muda... Não me tome por tolo, pois não acho simples e nem sempre conveniente a mudança. Acredito que cada um sabe o que determinado comportamento pode te trazer de bom ou de ruim, bom, se não sabe... aí não é comigo, é com você e seu analista. Mas o que importa aqui é que determinadas mudanças são necessárias para nosso crescimento. Elas nos fazem entender que não é difícil e sim necessária a constante adequação. O importante, eu acho, é não perder o que importa. Aí caímos em outra cilada teórica/terminológica, afinal o que importa? Não se sabe... Mas podemos começar por aquilo que pode vir a te fazer falta, caso você venha a perder, talvez isso importe, ainda que por um curto período de tempo.
Estou a devagar, eu sei. Ele está ali, dormindo. Se ele trabalha? não, ele só estuda. Passa em média 2 horas na faculdade, 4 dias na semana. O que ele faz o resto do tempo? bom... ele dorme e navega na internet. Então porque ele está dormindo? não sei. Estamos sem nos ver a duas semanas e ele veio aqui pra casa e dormiu. Estou começando a achar que o melhor caminho é desistir, não do namoro, mas de me importar. Vou deixar as coisas chegar ao intolerável, não para mim, porque já chegou a muito tempo, mas para ele. Assim, ele tomará alguma atitude. Não sei o que aconteceu comigo, pois estou tão passivo quanto a certas coisas, é que estou cansado de lutar, lutar e lutar, para no fim perder...
Ele disse-me a semana toda que eu veria como ele estava mudado... só percebi até agora, 00:57, que ele começou a suspirar enquanto dorme... ele não fazia isso... sei lá, mas o que importa não mudou. Ele também agora não insiste mais quando me estresso com ele, quando ele me machuca, ele simplesmente desliga o celular a meu pedido. Não é que houve mudanças!! e elas apontam ara um fim...as coisas estão encaminhadas...mas meu coração sofre com esse fim. Ele queria ser feliz com o coração dele. Porque ele não entende isso?